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Eleições e participação feminina na política

Rita de Cassia Nunes Pereira*

Quando chega o ano eleitoral, fica mais claro a desigualdade em termos de participação feminina na política. O Brasil está muito distante de alcançar um número de equilíbrio em termos de representação política entre homens e mulheres. A desigualdade de gênero é gritante em todas as esferas, o que pode comprometer o significado de democracia que construímos ao longo do tempo. Segundo o IBGE, 51% do eleitorado brasileiro é do sexo feminino, mas temos a minoria desse mesmo segmento sendo representado politicamente. Na Câmara dos deputados apenas 9% são mulheres e no Senado 10%. Então como avançar na ampliação dos direitos se a maioria dos eleitores não participa ativamente desse processo?

Entendemos que não se trata apenas de uma mudança de mentalidade, porque isto levaria décadas e até séculos para se efetivar, mas de ousadia nas políticas voltadas para mulheres, visto que atualmente existe algumas ações voltadas para essa questão, mas na prática tem tido poucos resultados, pois nem todos os partidos cumprem a determinação de reservar um fundo específico para formação politica das mulheres. Sendo assim, mais ações devem ser feitas nesse sentido e as entidades que atuam diretamente com este segmento, como igrejas, sindicatos, associações de moradores e de profissionais, devem abraçar a causa, pois é uma forma de diminuir também as diferenças sociais existente atualmente.

Evidente que ao longo da história democrática do Brasil houve avanços significativos, mas é necessário muito mais, estamos muito distantes nesses termos, quando comparados a outros países, como Ruanda, Espanha e Canadá, que tem um número bem superior de representação feminina ao que temos no Brasil, portanto  deve-se cobrar aplicação das leis que já versam sobre o tema e investir em uma educação que não reforce o machismo e o sexismo que tem prejudicado  fortemente a equidade de gênero no Brasil. Sabemos que este é um processo que exige o empenho de toda sociedade e que também não será automático, pois a participação da mulher na política dentro de um processo democrático é relativamente recente do ponto de vista histórico.

O voto feminino no Brasil foi conquistado em 1932 e somente em 1990 o Senado elegeu suas primeiras parlamentares (Junia Marise-Minas Gerais e Marluce Pinto- Roraima).  Sabemos que antes de tudo isso houve muitas lutas, mulheres dedicaram suas vidas em prol de uma causa que ainda está longe de ser alcançada.

Mais mulheres na política não é uma questão apenas de gênero é uma questão de justiça social, pois sabemos as dificuldades que as mulheres encontram no dia a dia para exercer seus direitos, as organizações dos partidos não tem favorecido uma participação mais ativa dessas mulheres que buscam um espaço no cenário político. A forma como o processo eleitoral é conduzido, desestimula a participação feminina que na maioria das vezes, resume-se apenas em votar em um candidato escolhido, por conta da obrigatoriedade.

A forma mais eficiente para que essas mudanças ocorram é a organização feminina, as mulheres que pensam nas mudanças sociais e políticas do seu país, devem fazer parte, devem tomar partido, da situação em que vivemos, sobretudo aqui no Maranhão. É necessário uma participação mais efetiva não apenas para cumprirmos a cota, não apenas para marcarmos presença em termos numéricos, mas é importante motivar cada vez mais mulheres a participar da vida pública, para promovermos um verdadeira transformação, política, social e cultural, pela democracia.

 

*Graduada em História, pós-graduada em História do Maranhão, professora das redes estadual e municipal, secretária adjunta de Relações Institucionais do SINPROESEMMA.