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Eleições a peso de ouro: as amarras do Parlamento

Vimos e participamos de um grande espetáculo da democracia, ocorrido no dia cinco de outubro de 2014, que nos fez respirar bem, pela primeira vez, o ar puro, com novas paragens que acalentam a alma dos maranhenses, sedentos de liberdade.

Esse foi o olhar que tive do resultado de toda a trajetória daqueles que se doaram à causa dos interesses coletivos, ao longo de décadas no Maranhão. Assim, posso registrar: Manoel da Conceição, Neiva Moreira, Maria Aragão, Elias Zi, Nonatinho, Jackson Lago e outros muitos homens e mulheres do povo que prestaram contribuições à luta por justiça social, democracia e vida digna.

Entendo como fundamental ter participado desse processo eleitoral, em 2014 como candidato a Deputado Estadual. Com 26 anos de ousada militância política no Maranhão, recebi essa missão dos resistentes educadores, do meu partido e de minha brava comunidade do Itaqui-Bacanga.

Desembarcamos nesse terreno não muito firme, às vezes arenoso, escorregadio, das eleições. Cumprimos o papel de levar a mensagem da fé e da esperança a milhares de pessoas da minha terra, sempre com a crença de que é possível mudar. No comando do Estado, conseguimos! Mudou a rota que orientou o Maranhão por quase 50 anos. Foi uma grande vitória!

Mas, por outro lado, afirmamos, na força das palavras, que as eleições proporcionais, com sua legislação vigente, impedem que o Parlamento seja livre e os homens do povo alcancem os instrumentos que fortalecem os interesses coletivos, dos que clamam por dias melhores: jovens, crianças, idosos, os filhos da pobreza embebidos da lucidez do precisar.

Ouvimos dizer por aí que milhões de reais foram “derramados” com o propósito de atender aos caprichos de uma elite carcomida, viciada e determinada a ocupar um lugar ao sol ou à sombra da impunidade, da miséria e sofrimento de milhares de maranhenses, que só encontram, no seu dia-a-dia, a fila nos hospitais, o desemprego e ou a morte anunciada pela violência que assola nossa bela ilha.

Foi assim e é assim que as forças do capital enfrentaram os interesses do nosso povo. Com espaços conquistados a peso de ouro, teremos uma Assembleia Legislativa, majoritariamente, desejosa de recuperar tamanha monta de recursos. São as regras do investimento capitalista.

Há tempos, no Maranhão, ganhava-se a eleição na paulada, pela velha aristocracia que se embebia dos restos da realeza. Hoje ou amanhã não podemos mais ver o que se viu no passado bastante remoto da escravidão. Por isso, é preciso fortalecer o debate da reforma política. O Parlamento maranhense precisa ser livre, sem as amarras do capital.

Professor Julio Pinheiro, Historiador, Secretário Executivo da CNTE e Presidente do SINPROESEMMA.