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Quem falará por nós?

Por Eron Bezerra

Em maio completará um ano do golpe de Michel Temer contra Dilma Rousseff e a democracia brasileira. Pelo menos ele imaginava que o golpe era dele, assim como Eduardo Cunha (PMDB, RJ) teve a ilusão de que liderava o golpe no legislativo.
Dentre as muitas incertezas sobre a situação política nacional, há uma certeza: o centro do golpe, mais uma vez, está sobre o comando da CIA. Exige enfrentamento adequado em torno de uma pauta que tenha a soberania nacional como eixo central. Eis porque é imprescindível que tenhamos candidatura própria a presidência da república, para que não tenhamos que nos questionar: QUEM FALARÁ POR NÓS?

Hoje, vai ficando evidente que os principais operadores reais do golpe no Brasil são apenas marionetes do Departamento de Estado Americano e de seu braço operacional – a CIA – que, como sempre, opera nos bastidores através de prepostos para viabilizar os interesses do império americano.

O modus operandi é essencialmente o mesmo: se apóiam em grupos previamente treinados nos Estados Unidos sob o cuidadoso monitoramento da CIA.

Durante e após a ditadura militar esses grupos foram arregimentados através do programa “amigos da América” e outros tantos mobilizados pela cruzada ambiental de “salvação do planeta Terra”. Hoje a cruzada é contra os estados nacionais, especialmente os emergentes, apoiados na interpretação jurídica unilateral e de conveniência da doutrina americana.

Michel Temer imaginava que tinha o golpe sobre controle e prometeu o “paraíso” ao consórcio golpista: parar as investigações; garantir estabilidade política e econômica; entregar o patrimônio público à iniciativa privada; parar ou reduzir os programas sociais; e eliminar direitos sociais e trabalhistas do povo.

Eduardo Cunha acreditou que patrocinando a farsa do golpe no legislativo estaria livre de todos os pecados que cometeu e ou pretendia cometer. Foi cassado, preso e já condenado a 15 anos de prisão. Deve caminhar para a delação.
Um balanço preliminar indica que, por enquanto, Temer só entregou o aumento da lucratividade dos especuladores financeiros e o ataque aos direitos dos trabalhadores. Não conseguiu parar as operações, inclusive a mais recente, batizada de “carne fraca”, que alcançou em cheio o agronegócio, precisamente o setor mais dinâmico e competitivo da economia brasileira.

A tranquilidade e a estabilidade prometida ao consórcio golpista se transformaram em pesadelo, tanto pela anemia da economia, que já arrastou 13 milhões de brasileiros ao desemprego, quanto pelos protestos que se avolumam em decorrência da virulência com que Temer se volta contra os trabalhadores: aumento vertiginoso das despesas com juros da dívida, privatizações criminosas, terceirização generalizada e reforma da previdência (na prática o fim da aposentadoria).

Esse cenário de tragédia levou a rejeição Temer para a estratosfera e fez com que parte dos aliados comece a desembarcar do consórcio golpista na tentativa de salvarem seus mandatos, que irão a julgamento em 2018.

Como é fácil perceber o debate de 2018, sob qualquer hipótese, terá que enfrentar essas questões e apresentar soluções viáveis a esse impasse. Soluções estruturantes. Não pode ser “o mesmo do mesmo”.

Eis porque se impõe a necessidade de uma candidatura própria do PCdoB à presidência da república e para os demais cargos majoritários, onde a realidade permitir que se agregue um mínimo de consenso em torno de uma pauta que busque uma saída soberana para o impasse.

Eron Bezerra é professor da UFAM, Doutor em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia, Coordenador Nacional da Questão Amazônica e Indígena do Comitê Central do PCdoB.